Você sabia que uma em cada três meninas e um em cada seis meninos são vítimas de algum tipo de abuso sexual até completarem 18 anos?
Os números são alarmantes: cerca de 80% dessas crianças são vítimas de alguém próximo a família, incluindo pai e mãe. Da totalidade das vítimas de estupro, 70% são menores de idade. Dos crimes cometidos contra crianças e adolescentes, mais da metade são crimes sexuais. A forma mais comum do abuso é a intrafamiliar, praticado por alguém que a criança conhece, confia e ama, podendo haver ou não contato físico.
A Organização Mundial da Saúde considera o abuso sexual como uma situação de maus tratos na menoridade. O abuso sexual pode ser classificado conforme é praticado pelo agressor em atos que agridem sensorialmente a criança ou o adolescente como ligações telefônicas/chamadas de vídeo obscenas, voyeurismo, imagens pornográficas, exibição dos órgãos sexuais e atos que utilizam o corpo como forma de agressão, como as relações sexuais impostas, participação em cenas pornográficas, contato sexual ou masturbação forçada.
O abuso sexual muitas vezes não deixa marcas físicas, mas marca a criança para toda a vida.
Importante ressaltar que a criança não tem conhecimento e percepção da gravidade da violência que está sofrendo, não podendo julgar que aquilo não é certo. Mas a falta de conhecimento não minimaliza os danos decorrentes deste abuso.
A criança pode apresentar medo, culpa e remorso porque quem pratica o abuso, geralmente com crianças, é uma pessoa que ela ama, não podendo assim, entender o que está acontecendo.
Quanto mais tenra a idade, mais sensíveis são os sinais. Crianças vítimas de violência tendem a mudar de comportamento, tanto em casa quanto na escola, e se calar diante da família.
Um dos sintomas mais significativos é a regressão no desenvolvimento. A criança já evoluiu em determinado contexto e volta atras, como voltar a urinar na cama ou chupar o dedo, por exemplo.
A criança extrovertida passa a ficar tímida, ou vice-versa, bem como começa a apresentar dificuldades na escola sem explicação e resistência para retornar para a casa depois do período na escola. Passa a ter dificuldade em estabelecer vínculos de amizade, de participar de atividades escolares e sociais e dificuldade em se concentrar.
Algumas crianças com sintomas mais graves passam a se masturbar na presença de pessoas ou fazem gestos sensuais, como também podem fazer brincadeiras sexuais de maneira persistente, exageradas e inadequadas.
As crianças mais novas se expressam muito através dos desenhos e diante do abuso sexual não é diferente. Os desenhos podem apresentar indicativos sexuais na pessoa por ela desenhada; a criança se desenha no mesmo tamanho da pessoa que a abusa, como se as personalidades se nivelassem; as casas são alongadas verticalmente, com portas e janelas desproporcionais ao tamanho da casa; objetos em forma de falo, como arvores em formato semelhante ao órgão reprodutor masculino, por exemplo.
Observação importante: nem sempre a criança vai rejeitar o abusador, visto que ela não entende o que está sofrendo.
Sendo assim, é muito importante que todos da família se atentem às mudanças de comportamento que a criança e o adolescente apresentam. Uma vez identificado o abuso, é necessário acionar a rede de proteção ao vulnerável, que envolve o trabalho conjunto do Conselho Tutelar, a avaliação por um médico do estado físico da criança, além do acompanhamento psicológico para a vítima e para a família. Destaca-se que a contratação de um advogado é de suma importância para acompanhar o trabalho da rede de proteção de perto, podendo auxiliá-la, bem como acompanhar os trâmites perante autoridade policial e judiciária.
